quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Ditador da Coreia do Norte afasta seu mentor, diz Seul: Jovem líder Kim Jong-un teria tirado Jang Song-thaek dos cargos no regime, segundo inteligência sul-coreana

Governo sul-coreano vê tentativa de Kim de rejuvenescer cúpula, herdada de seu pai, Kim Jong-il, morto em 2011
MARCELO NINIODE PEQUIM
Os serviços de inteligência da Coreia do Sul acreditam que Jang Song-thaek, tio do ditador norte-coreano Kim Jong-un e considerado o número dois na hierarquia do Estado comunista, tenha sido afastado do poder.
Se confirmado, é o ato político mais significativo do jovem ditador desde que ele assumiu o poder, em dezembro de 2011, após a morte de seu pai, Kim Jong-il.
Segundo o Serviço de Inteligência Nacional (SIN), o afastamento faz parte de um expurgo que começou no mês passado, quando dois assessores de Jang foram executados, ambos sob a acusação de corrupção.
Jang, 67, não é visto em público desde as execuções.
Ele é casado com Kim Kyong-hui, irmã de Kim Jong-il e tia do atual ditador. Entre os cargos de Jang está a vice-presidência da poderosa Comissão de Defesa Nacional, principal órgão decisório norte-coreano.
Jang era uma espécie de mentor de Kim Jong-un. Ele e a mulher tiveram um papel importante para pavimentar o poder de Kim após a repentina morte de Kim Jong-il.
Com cerca de 30 anos, educado na Suíça e carente de experiência como líder, Kim Jong-un estaria disposto a colocar sangue novo na cúpula do regime para consolidar o seu poder.
Andrei Lankov, especialista em Coreia do Norte da Universidade Kookmin, em Seul, diz que "cedo ou tarde ele terá que substituir a velha guarda que o cerca no governo, a maioria com idade para ser seu pai ou avô".
Desde que assumiu o poder, Kim substituiu cerca de 100 autoridades, civis e militares, que serviram no governo de seu pai, de acordo com o ministério sul-coreano da Unificação.
Membros do governo sul-coreano citados pela imprensa do país temem que a possível destituição de Jang indique disputas no topo do regime que possam elevar a instabilidade na península.
No início do ano, os dois países viveram um período mais agudo de tensão quando a Coreia do Norte ameaçou usar seu arsenal atômico em retaliação ao que considerou serem atos de hostilidade de Estados Unidos e Coreia do Sul.
Fonte: Folha, 04.12.13

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